"Uma vez ia caindo, ele amparou-a, endireitou seu cabelo num gesto distraído. Ela agradeceu-lhe com uma ligeira pressão no braço. Olharam-se com um sorriso e de repente sentiram-se ofuscantemente felizes... Puseram-se a andar mais depressa, os olhos abertos deslumbrados.
Talvez ele não se lembrasse disso particularmente. Ela é quem tinha memória para aquelas coisas. Verdade é que a qualidade desses acontecimentos era tal, que não se podia rememorá-los falando. Nem mesmo pensando com palavras. Só parando um instante e sentindo de novo.
Que ele esquecesse. Na sua alma, porém, restaria certamente qualquer marca, clara, cor-de-rosa, anotando a sensação e aquela tarde. Quanto a ela - cada dia que chegava trazia-lhe nas suas águas mais lembranças de que se alimentar... Sim, pensava longinquamente, fitando-o – há coisas indestrutíveis que acompanham o corpo até a morte como se tivessem nascido com ele. E uma delas é o que se criou entre um homem e uma mulher que viveram juntos certos momentos."
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Um comentário:
nossa, é lindo.
pensei bastante em amor e até mandei o texto pro Heitor.
Postar um comentário